Menino sírio sem braços tratado nos EUA sonha em rever a mãe e os irmãos

Criança de 11 anos perdeu os membros e três irmãos em um bombardeio que atingiu sua casa; pai está com ele e mãe mora na Turquia

Ahmad Alkhalaf teve um ano muito agitado.

Ele assistiu ao último discurso do Estado da União do democrata Barack Obama como presidente dos EUA convidado por um congressista. Aprendeu a andar de bicicleta e a patinar, teve aulas de artes marciais e ginástica e passou o verão jogando futebol e nadando em uma lago de um acompamento nos subúrbios de Boston.

E recebeu seu primeiro par de braços protéticos desde que perdeu os seus há três anos, por uma bomba que explodiu em um campo de refugiados matando três de seus irmãos.

g1

Apesar do menino sírio de 11 anos começar um novo ano em seu lar adotivo, ele disse que seu sonho é se reunir com sua mãe e seus quatro irmãos vivos, que moram em Istambul, na Turquia.

“Quero que minha mãe venha para cá”, disse num sábado, enquanto chutava uma bola em um parque. “Sinto que a estou perdendo. Passou tempo demais. Não consigo mais suportar.”

O pai de Ahmad, Dirgam Alkhalaf, apontou que suas esperanças dependem em grande medida de o republicano Donald Trump não cumprir sua promessa de frear a entrada de sírios e muçulmanos no país quando assumir a presidência em janeiro.

Alkhalaf solicitou asilo e espera pedir o documento para toda a família se ele e Ahmad conseguirem ficar no país.

“Só posso esperar que ela faça o que é correto”, disse Alkhalaf sobre Trump, por meio de um intérprete. “Não importa o que as pessoas disserem, sou otimista.”

A equipe de transição de Trump não respondeu a e-mails solicitando comentários sobre esse caso.

Sem lugar para ir

Alkhalaf explicou que não pode voltar à Turquia depois de renunciar ao seu status de residência temporária lá. Voltar à Síria, nos arredores da devastada cidade de Aleppo onde vivia sua família, também não é uma opção.

“Na Síria não sobrou nada para nós. Nossa casa está destruída, o governo nos procura”, disse, referindo-se ao presidente sírio Bashar al-Assad, que segundo ele foi o responsável pelo bombardeio de 2013. “Não tenho para onde ir se os Estados Unidos não me quiserem.”

Pai e filho estão morando com um grupo rotativo de famílias muçulmanas desde sua chegada ao país em junho de 2015, graças a uma autorização médica para Ahmad.

Alkhalaf é segurança em uma mesquita. Em julho, recebeu permissão para trabalhar e agora espera conseguir a carteira de motorista.

A carga emocional da separação tem sido custosa para a família. Na Turquia, seu filho mais novo tem problemas similares à asma, sua esposa está sendo tratada de hipertensão e Ahmad nem sempre dorme bem, um problema que começou com terrores noturnos após o bombardeio.

“Emocionalmente, estou esgotado”, disse Alkhalaf. “Se estivéssemos todos juntos, acho que nos sentiríamos melhor”.

Ahmad fala de sua mãe frequentemente e tenta animá-la contando todas as coisas novas que está vivendo. “Tento fazer que ela fique feliz, mas é difícil”, reconheceu.

No último outono ele começou a estudar em uma escola do subúrbio de Boston e está à espera de próteses mais avançadas. Ele também espera entrar para um time de futebol local.

Os responsáveis pelo centro no qual ele estuda dizem que os probelmas de Ahmad não parecem afetar sua escolarização. Pelo contrário, eles ficaram impressionados com a rapidez com que ele se adaptou ao novo entorno, onde recebe terapia física e ocupacional, aulas de leitura individuais e outras classes de apoio.

g1

04/01/2017

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